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09 abril 2012

Fanfics #12 - Teardrops on My Guitar - CAPITULO III ( Tá melhor?)

Postado por Luisa Ortega às segunda-feira, abril 09, 2012 0 comentários

Olá queridos, como estão?
Com saudades da minha coluna?
Peço desculpas pela demora para postar, mas estou de volta. Finalmente!
Espero que estejam curtindo a minha coluna; qualquer sugestão, por favor, não deixem de comentar...
Estou aqui para satisfazê-los.
Bom, aqui vai mais um capítulo de Teardrops on My Guitar
Boa leitura.
Luisa (colunista)

CAPITULO III
Tá melhor?



Meu celular vibrou, chamando minha atenção para a mensagem de Renan que eu havia acabado de receber. Estiquei meu braço monotonamente em direção ao criado-mudo, onde ele estava. De fato, estava melhor do que duas horas antes, quando ele me deixara na porta de casa, mas não me sentia bem, meu coração ainda estava em pedaços, tirando-me qualquer vontade de responder aquela mensagem.

Coloquei o celular de volta no criado-mudo e virei-me para o outro lado da cama, tentando esquecer a imagem que me vinha a cabeça. Por que eu não conseguia esquecer aquela cena? Quanto tempo eu ainda seria obrigada a ver aquele beijo diante de meus olhos? Era muita tortura para uma pessoa só, e eu não merecia tamanho sofrimento.

As lágrimas corriam pelo meu rosto, desesperadamente, era como se elas tentassem fugir de mim, fugir da minha mente, fugir da razão pela qual elas eram derramadas. Tentei secar meu rosto, inutilmente; as lágrimas continuavam a cair. O gosto salgado das lágrimas continuava em minha boca.
Fechei meus olhos, procurando consolo na escuridão, mas eu ainda o via beijando a garota loira tão perfeitamente que parecia que eu estava de olhos abertos, que eu estava revivendo aquela cena. Abri os olhos novamente e corri meus olhos pelo meu quarto, tentando encontrar algo que desviasse minha atenção, mas a imagem daquela lembrança estava tão presa a minha mente que tudo que eu via era aquele beijo. Fechei e abri os olhos repetidamente, tentando vencer minha mente pelo cansaço. No fim de tudo, o cansaço saiu vitorioso e eu dormi.

~~*

Se antes eu queria que a semana passasse rápido para que eu pudesse ver Bruno, depois daquela situação, os dias voavam enquanto eu implorava que eles fossem mais compridos. Estava com medo de encará-lo novamente, não sabia como eu reagiria ao olhá-lo; uma semana não era tempo o suficiente para apagar algo como o que eu sentia.

A caminho do conservatório, eu sabia que eu não aguentaria muito tempo diante dele, diante daquela frieza com que ele tinha me tratado na semana anterior. Sabia que bastariam dez minutos, ou menos, para que eu despencasse em lágrimas. Jurei para mim mesma, no entanto, que encontraria em meu interior toda a minha força de vontade e que não choraria na frente dele, nunca! Eu sorriria sempre, ele não podia saber dos meus sentimentos.

Minha força interior, no entanto, não era grande o suficiente para isso: ao vê-lo se aproximar de mim, meu coração deu uma pequena palpitada e eu sabia que não aguentaria aqueles quarenta e cinco minutos, seria uma tortura para mim. As lágrimas estavam quase saindo dos meus olhos quando ele parou a minha frente e abriu aquele enorme sorriso que eu tanto amava.

O sorriso de Bruno era como o Sol para mim; o calor daquele sorriso foi o suficiente para secar minhas lágrimas. Se ele sorrisse para mim daquele jeito, pelo menos uma vez por semana, eu nunca mais teria um motivo sequer para derramar uma lágrima. Soa obsessivo, mas era exatamente assim que eu estava; obcecada por ele.

-Tudo bem? – ele perguntou, me guiando para a sala. Era óbvio, para mim, que estava tudo perfeito. Como poderia estar diferente, se eu estava diante daquele sorriso maravilhoso. Sorria novamente para mim, meu anjo.

-Tudo normal. – minha voz não me entregou uma vez na vida. A calma em meu tom de voz em nada se parecia com a confusão que havia dentro de mim.

Bruno me deu passagem ao abrir a porta da sala e entrou depois de mim, fechando a porta atrás de si. Enquanto ele abria a janela, eu coloquei meu material no chão e comecei a procurar o que usaríamos durante a aula.

-Achei que você estava chorando agora pouco. – ele disse, virando-se para mim, ainda do lado da janela, um pouco distante de mim. Eu não o olhava, mas sentia seu olhar em minha nuca. Seu tom de voz parecia preocupado. – Aliás, você parecia estar chorando semana passada também, quando você foi embora. – eu escutei seus passos em minha direção. Bruno passou ao meu lado antes de sentar na cadeira a minha frente. Eu olhava para os papéis em minha mão, tentando ao máximo ignorar sua presença. Por que ele tinha que tocar naquele assunto? Ele podia simplesmente sorrir, não podia? Bruno só precisava sorrir, e nada mais importaria. – Está tudo bem?

-Meus olhos ficam um pouco inchados quando estou cansada. – eu disse, levantando a cabeça e coçando um pouco o olho. Minha encenação podia não ser das melhores, mas eu não estava mentindo, meus olhos realmente ficavam inchados, não que na semana anterior fosse o cansaço a causa de tal; ele não sabia disso, por isso deu de ombros, acreditando em minhas palavras.
Ele me observava enquanto eu procurava os papéis certos, eu sentia aquele olhar intrigante dele me atravessando. Tal sensação me agoniava; desesperada, tirei o violão de dentro da capa e entreguei em sua mão. Por alguns instantes, pelo mesmo, a atenção dele estaria em outra coisa.

Continuei passando folha por folha enquanto escutava-o afinar meu violão. Eu me forçava a não olhá-lo; ele ficava incrivelmente sedutor enquanto afinava, mas eu não podia olhá-lo. Vê-lo daquela forma iria me machucar por dentro.
Bruno terminou de afinar o violão assim que eu encontrei as folhas que precisava, pareceu até cena de cinema, com todos os movimentos sincronizados. Sincronizados sim, mas não ensaiados o suficiente; enquanto ele me passava o violão, eu lhe entregava as folhas certas. Movimentar as duas mãos para duas coisas diferentes confundiu a ambos, o que levou todas as folhas que estavam em minha mão ao chão.

Após apoiar o violão na parede, agachei em frente a cadeira para recolher as folhas caídas. Bruno fez o mesmo e em meio ao movimento de pegar as folhas, senti a mão dele tocando na minha. Ele demorou alguns instantes para perceber, mas assim que senti o calor da mão dele passando para a minha, que estava fria até então, eu sabia o que estava me tocando.
Meu coração assustou-se com isso, começando a bater mais rápido. Senti meu rosto arder, eu estava corando. Bruno me olhava, como se percebesse que meu rosto estava ficando avermelhado.

-Está calor aqui dentro, não? – eu disse, tentando enganá-lo. Soltei os papéis que tinha em minha mão e tirei-a de baixo da dele, torcendo que isso acalmasse meu pequeno coração. Levantei-me quieta e sentei em minha cadeira, esperando que ele acreditasse. Ainda agachado, Bruno soltou uma pequena risada, como se soubesse que eu estava mentindo.

-Quer que eu ligue o ventilador? – ele perguntou levantando a cabeça em minha direção. O sorriso sarcástico em seus lábios me assustou a princípio, mas se eu queria que ele acreditasse em minhas palavras, não podia me afetar com aquilo.

-Melhor não, se não as folhas vão voar. – e eu ficaria com frio. Mas ele não precisava saber que eu não estava sentindo calor de verdade. Na verdade, eu estava com calor, mas não seria o ventilador a resfriar o meu coração. Bruno balançou a cabeça, rindo baixo; levantou-se, se sentou na cadeira a minha frente e colocou as folhas que tinha em sua mão na estante.

-Onde paramos na última aula? – ele perguntou, indicando com a cabeça que eu pegasse o violão.

~~*

I'm not like the rest
I just don't care if you're the best
You see it's all the same to me
You just be who you wanna be
It's all the same to me
Oh don't get me wrong
You better make your move
Before the moment's gone
Tell me
If I cut my hair, if I change my clothes will you notice me
If I bite my lip, if I say hello will you notice me?
If I cut my hair, if I change my clothes will you notice me
If I bite my lip, if I say hello will you notice me
I want you to notice me

-Muito melhor agora. Eu disse que é só se concentrar, que você acerta tudo. – como eu gostaria de ser elogiada por ele sempre, pois além de escutar sua doce voz dizendo o quão boa eu era, ainda tinha como prêmio aquela visão do paraíso: o sorriso dele. Bruno era, em uma palavra, apaixonante. Apaixonante?

Foi só então que eu percebi que tinha alguma coisa errada. Onde estava o Bruno frio, distante e sarcástico das semanas anteriores? Não que ele estivesse menos distante do que de costume, mas obviamente estava mais doce.

Por mais que eu gostasse desse Bruno, algo me parecia estranho; lá no fundo eu sabia que algo estava errado. Mas, no fim, nada importava enquanto eu tivesse aquele sorriso. Bruno estava dentro de mim de uma forma incontrolável. Eu estava completamente apaixonada por ele; totalmente cega por ele.

Meu desespero por ele era tão forte que eu passava dias e dias tocando violão para senti-lo mais perto de mim; ele estava em cada acorde, em cada melodia, em cada letra. Bruno estava marcado em mim.

Minha expressão devia estar muito engraçada, pois Bruno reparou que eu o fitava e me observou por um instante, começando a rir logo após nossos olhos se encontrarem. O som de sua risada me fez acordar do transe. Confusa, eu perguntei por que ele estava rindo, enquanto me ajeitava na cadeira; odiava o efeito que ele tinha sobre mim.

-Você está muito distraída. Aconteceu alguma coisa? – o tom de voz de Bruno parecia preocupado, como se ele temesse algo, como se minha atitude perto dele revelasse algo que ele não gostasse, algo que ele não queria que acontecesse. Poderia ele já saber dos meus sentimentos? Por mais que eu sempre cedesse diante do poder que ele tinha sobre mim, sempre fora o mais discreta possível; em momento nenhum eu deixava que meus sentimentos transparecessem... não totalmente.

-Não, eu só estou... – comecei ao desviar o olhar dele; mas ver sua mão direita me impediu de continuar: ele estava de aliança de novo. Por pouco, lágrimas não escaparam dos meus olhos; precisei de muita força para lutar contra minha vontade. Meu desejo era aquele, chorar até que todo meu corpo se derretesse em lágrimas.

Ver aquela aliança novamente destruiu os pedaços que ainda restavam do meu coração; foi então naquele momento que eu entendi o que há meses me forçava a ignorar: ele nunca seria meu.

~~*

Os dias passavam com uma velocidade enorme diante de meus olhos que eu sentia como se me encontrasse com Bruno todos os dias, e isso me matava por dentro; ter que encarar seus olhos, permanecer no mesmo lugar que ele, escutar sua voz era uma tortura para mim.

Prometera a mim mesma que não choraria, mas toda a força que eu gastava nessa tentativa era em vão; era apenas me afastar do olhar dele que a máscara que eu levava em meu rosto se desfazia em lágrimas.

Sua presença era uma tortura para mim, assim como sua ausência. O que mais me doía era nem passava pela cabeça dele a existência desse meu sofrimento. Ele apenas sorria, me matando os poucos, sem saber o que se passava por dentro de mim quando eu sorria de volta, forçadamente. Ele nunca saberia da minha aflição ou sequer desse sentimento que então era minha angústia.

Minhas horas vagas eram dividas entre as lágrimas e o violão; uma coisa me levava a outra. Tocar violão me lembrava Bruno; lembrar dele trazia as lágrimas ao meu rosto; chorar me angustiava o peito; para relaxar eu tocada violão. Era um ciclo vicioso do qual eu não encontrava um meio de me libertar.

~~*

-Você está linda. – Renan disse quando cheguei ao conservatório. Linda... Quem dera esse fosse um dos adjetivos certos para me descrever. Ele andou meio sem jeito em minha direção a fim de me cumprimentar.

O calor do abraço de Renan era a única coisa boa na minha vida naquele momento; se por um lado eu ficava desesperada ao saber que teria que ver Bruno, por outro, encontrar Renan me dava força para segurar minhas lágrimas dentro de mim por um tempo a mais. Chorar na frente dele mais uma vez estava fora de cogitação.

-O Bruno está lá trás. – algo no tom da voz de Renan sempre soava estranho quando ele falava de meu professor, como se algo não estivesse bem entre eles. – Boa aula. – ele disse frio, deixando-me partir na direção que ele falara.

Enquanto caminhava, me perguntei se a menção de Bruno tinha mudado algo em minha expressão para a mudança drástica de humor do outro. Poderia ele saber o que eu realmente sentia?

-Alana. – eu escutei alguém atrás de mim. Eu conhecia aquela doce voz, infelizmente. Respirei fundo antes de olhá-lo, preparando-me para a dor que viria. E ali estava ele, em frente a porta da sala que eu havia acabado de passar, lindo como sempre... Ou como nunca. Havia algo de diferente nele naquele dia; ele estava tão perfeitamente... Perfeito. Meu cérebro não conseguia encontrar as palavras certas para descrevê-lo.

Ele me deu passagem para entrar na sala e se sentou na minha frente, como seu fazia. Seu sorriso estava leve, como todo seu espírito. Algo emanava de dentro dele e preenchia a sala de uma forma que eu não sentia nenhuma tristeza perto dele. Eu estava bem ao seu lado.

-Sabe o que eu descobri hoje? – ele disse, enquanto eu terminava de arrumar meu material. Respondi que não, sem me interessar muito pelo que ele diria a seguir. Nada do que ele dissesse poderia ser muito importante; a não ser que a descoberta tivesse a ver sobre meus sentimentos. A idéia de ele saber o que eu sentia fez-me dar um pulo, assustando-o. – O que foi?

Eu sentei novamente, envergonhada. Podia sentir meu rosto queimando. Tentei não olhar diretamente nos olhos de Bruno, ou me sentiria pior. Ele se aproximou de mim com a cadeira, como se fosse me contar um segredo.
-Quer dizer então que semana que vem é seu aniversário de dezoito anos? – ele perguntou como se tivesse segundas intenções por trás de tal pergunta; eu ainda não o olhava nos olhos, não sabia dizer se ele me fitava ou não. Na verdade, meu olhar estava preso aquela maldita aliança que ele carregava no dedo.

De fato, semanas já haviam se passado desde aquele infortuno dia que eu conhecera a namorada de Bruno; e desde então, nem requer rastro dele eu vira, mas ainda sim, a aliança estava lá, me machucando.

Respirei fundo. Não podia deixá-lo falando sozinho; precisava dar a outra face, mostrar o quanto eu era forte. Ele nunca saberia o quanto algo tão pequeno podia me fazer mal.

-Finalmente. – falei ao levantar meu rosto, abrindo o meu melhor sorriso e fitando-o nos olhos.

-Pediu um carro? – Bruno desviou o olhar de mim, intimidado. Eu não respondi, apenas dei uma leve risada, pensativa. – O que você pediu de presente então?

-De presente? – eu pensei. O presente que eu queria, no entanto, ninguém poderia me dar, a não ser o próprio Bruno.

~~*



[@xlloops]
Luisa Lopes 
Continua... ►

27 fevereiro 2012

Fanfics #11 - TEARDROPS ON MY GUITAR CAPITULO II

Postado por Luisa Ortega às segunda-feira, fevereiro 27, 2012 0 comentários

Olá leitores queridos; como estão?
Espero que todos estejam bem.

Como foram de carnaval???

Hoje, tenho mais um capítulo do conto da última postagem da minha coluna, Teardrops on My Guitar.
Antes de irmos para os finalmentes, quero agradecer o carinho de todos que tiram um tempo para ler meus contos e também agradecer os comentários. Apesar de não responder um por um, tenham certeza que eu leio todos, de verdade.

Agradeço de coração pelos elogios quanto a minha escrita e quanto os contos. Se quiserem criticar também, estejam a vontade.

Mas chega de falar, vamos ao que interessa.
Beijos a todos

Luisa

TEARDROPS ON MY GUITAR
CAPITULO II





Bruno era, até certo ponto, óbvio. Assim que me joguei em minha cama naquela noite, eu soube que ele nunca mais se disporia a me levar até em casa; e infelizmente eu estava certa. O que eu não esperava, no entanto, era uma mudança extrema de atitude dele. Se eu achava que Bruno era completamente distante de mim, apesar de seu carisma, eu não havia visto nada ainda. O Bruno que me deu aula na semana seguinte era completamente diferente daquele que me levara até minha casa.

-Você não estudou essa semana, estudou? – ele perguntou, sem sequer me olhar quando eu errei pela quarta vez o exercício. Como eu gostaria de ter acertado o exercício, se isso o fizesse abrir um sorriso; já estava nos minutos finais da aula, e nem sequer um vestígio dele eu havia visto. O tom de voz que ele usava comigo piorava a situação; parecia que ele estava bravo com algo... Comigo.

Mentalmente revisei aqueles quarenta e cinco minutos, buscando em minhas palavras algo que o deixasse daquele jeito. Nada! Seria algo da semana anterior, no carro? Impossível! Aquele último sorriso que ele me deu era o suficiente para exterminar qualquer idéia de alguma palavra errada naquela noite. O que teria acontecido com ele?

-Bem na hora. – disse, olhando seu relógio. Ele estava com pressa de me dispensar? Queria ele se livrar de mim? E por que essas idéias estavam na minha mente? Ele sempre fora assim comigo, sempre fora distante, não fora? Sim, mas ele estava tão mais distante. – Por favor, estude essa semana. – e o tom de voz dele provou o que eu já tinha certeza: algo estava errado. Eu o olhei não acreditando no que estava acontecendo e o peguei me fitando. Ao perceber meu olhar, Bruno desviou seus olhos pra longe de mim.

-Aconteceu alguma coisa? – eu perguntei depois da nossa breve troca de olhares, enquanto terminava de guardar meu material. Ele não respondeu; mesmo sem olhá-lo, eu conseguia sentir sua impaciência. Em silêncio, acelerei e terminei de guardar minhas coisas; não o prenderia comigo se era isso que o estava incomodando.

Bruno me acompanhou até o hall de entrada, como de costume, mas sem dizer uma palavra sequer. Só abriu a boca novamente quando chegamos ao nosso destino, e apenas para se despedir.
-Tchau – ele disse, dando um beijo de despedida no meu rosto o mais distante possível, apenas por educação; nem sequer o costumeiro “Até semana que vem” eu escutei. Bruno realmente estava bravo comigo.

Sem sequer escutar minha resposta a sua despedida, ele deu-me as costas e se direcionou para os fundos, onde era a sala dos professores. Suspirei triste. Se antes ele era inalcançável... Nem queria imaginar no que ele havia se tornado. Sem esperanças, me dirigi para o portão de entrada.

-Alana. – eu escutei. Meu coração deu uma palpitação. Seria ele? Mais do que rápido eu me virei, a fim de descobrir quem me chamava: Renan. Por que ele tinha que ter a voz tão parecida com a de Bruno? Era castigo dos céus; com certeza o destino fizera isso apenas para me atormentar. – Já está indo embora?
-Estou sim. – fui direta – Tchau. – despedi-me dele com um beijo no rosto e virei às costas, a fim de seguir meu caminho de volta para casa.

-Posso te acompanhar? – o loiro perguntou, apressando o passo para ficar ao meu lado. Como eu gostaria que ele me deixasse sozinha... No entanto eu não sabia como dizer isso a ele sem parecer mal-educada. Acabei aceitando sua companhia depois que vi um enorme sorriso aberto em seu rosto. Pelo menos alguém sorria para mim.

Enquanto andávamos, ele perguntou até onde eu iria; ao que parecia, ele fazia o mesmo caminho que eu, só que de carro. A casa dele não ficava longe da minha, o que explicava o percurso similar.

-Você parece um pouco triste. Aconteceu alguma coisa? – era incrível como Renan conseguia enxergar através do meu sorriso, através de mim.

-Nada demais, apenas azar no amor. – o que eu poderia dizer? Era quase como se Renan lesse meus pensamentos, eu nunca conseguiria mentir para ele.

-Pensa pelo lado bom, você vai ser milionária se jogar.

~~*

Os dias custaram a passar entre uma quinta feira e outra. No sábado, eu já estava enlouquecendo, implorando para que o tão esperado dia chegasse. Eu precisava ver o Bruno de novo, precisava daquele sorriso, o qual ele escondera de mim. Eu tocava meu violão, lembrando dele em todos os acordes que tocava. Bruno estava em todas as músicas; todas as letras pareciam ser escritas para nós dois.

Desiludida, guardei meu violão, já era tarde e logo meus vizinhos reclamariam. Não que eu realmente me importasse com o que eles diriam, o violão me dava a sensação de estar mais próximo de Bruno, e isso valia qualquer reclamação dos vizinhos; no entanto, não compensava as broncas de minha mãe.

Joguei-me em minha cama, pensativa. Tentava me lembrar desde quando estava apaixonada por Bruno, quando fora a primeira vez que ele tirara meu sono. Minha mente corria atrás de informações, e aos poucos eu me lembrava dos breves momentos que eu passara com ele.

Para Bruno, os rotineiros quarenta e cinco minutos deveriam ser apenas uma obrigação, o trabalho dele, enquanto para mim, eram os quarenta e cinco minutos mais importantes da minha semana. Como eu gostaria que esses quarenta e cinco minutos se estendessem para a semana inteira e ele fosse meu por completo. Não seria apenas Bruno, meu professor, mas sim, Bruno, meu amigo, meu companheiro, meu namorado, meu amor.

De olhos fechados, imaginava o dia em que eu finalmente chamaria sua atenção e ele se apaixonaria por mim; não parecia algo impossível, parecia tão natural, tão real. Mas a razão me acordou de meus devaneios, alertando-me para não sonhar demais, não acreditar demais em algo que nunca aconteceria.

~~*

-Então quer dizer que a senhorita andou treinando? – ele disse seco e sarcástico. Eu odiava profundamente o jeito com que ele estava me tratando, mas não conseguia odiá-lo de verdade pelo simples fato de saber que algo estava errado. Eu o olhei desafiadora, queria ter certeza que ele conseguiria falar assim comigo olhando-me nos olhos. Assim que nossos olhares se cruzaram, ele se levantou. – Eu vou pegar a cifra da música que você pediu e já volto. – e saiu.

Sozinha na sala, eu respirei fundo, tentando não chorar. Não, eu tinha que me mostrar mais forte do que isso. Se ele queria me tratar mal, que ele me tratasse mal, mas eu continuaria sendo a mesma com ele, e não o deixaria saber o quanto estava chateada com seus modos.

-Oi, tudo bem? – aquela doce voz penetrou pelos meus ouvidos, jogando para longe meus pensamentos. Surpresa, olhei em direção da porta: Renan, sempre Renan. Como eu gostaria que Bruno me tratasse do mesmo jeito que Renan sempre me tratou. – Posso entrar? – ele tinha um sorriso enorme e caloroso em seu rosto, como se estivesse feliz por me ver.

-Claro!

-Onde está o Bruno? – ele perguntou após entrar na sala, percebendo que eu estava sozinha.

-Foi pegar a cifra de uma música.

-Hmm... Eu estou de carro hoje, quer carona? – ele perguntou, fitando-me.

-Renan... – eu escutei. Era a mesma voz daquele que tinha me oferecido carona, mas aquele nome não havia saído do próprio. Olhando em direção da porta, vi Bruno com uma folha de papel na mão e um olhar que eu não consegui reconhecer. Nunca havia visto antes em nenhuma de suas expressões. – Você está atrapalhando minha aula, de novo! – o tom de voz de Bruno era de quem estava brincando, mas algo dentro de mim me dizia que ele estava bravo. O loiro pediu desculpas e se retirou me olhando com um sorriso. – É essa a música? – Bruno perguntou após se sentar a minha frente, mostrando-me o papel. Dei uma rápida olhada na letra e confirmei que era a certa. Só então percebi que no dedo de Bruno a aliança que eu tanto odiava e que havia desaparecido por tempos, voltara para me atormentar. – O que foi? – provavelmente o choque foi tão grande que ele percebeu minha expressão.

-Nada. Podemos continuar. – minha voz falhou, mas ele não perguntou mais nada, continuando a aula normalmente. Ele me mostrava os acordes da música, mas eu apenas prestava atenção naquele anel prateado brilhando em seu dedo. Ele me ensinava o ritmo da música, mas o ritmo do meu coração era mais forte; ele estava desesperado. – Eu não consigo.

-Consegue sim, apenas se concentra. – ele disse, abrindo um pequeno sorriso, com o tom de voz mais doce que ele usou comigo desde que começara a me tratar de forma indiferente. Será que... Não, não era possível. Respirei fundo, eu iria acertar daquela vez, não importava como, se acertando, ele mantivesse aquele sorriso direcionado a mim. – Posso? – perguntou, referindo-se ao rádio, o qual eu acompanharia tocando a música.


Here's the story of a girl
Living in a lonely world
A hidden note, a secret crush
Alittle boy who talks too much
Well I'm standing in the crowd
And when you smile I check you out
But you don't even know my name
You're too busy playin' games
And I want you to know
If you lose your way I won't let you go
If I cut my hair, if I change my clothes will you notice me
If I bite my lip, if I say hello will you notice me
What's it gonna take for you to see
To get you to notice me

-Muito bom. – ao pausar a música, ele disse. – Viu como você consegue? Só precisa se concentrar. – ele então abriu um sorriso um pouco maior, fazendo com que as borboletas em meu estômago entrarem em pânico. Por impulso sorri em retribuição, e o fitei assim. Não conseguia desviar o olhar daquele sorriso; e percebi que ele também não conseguia desviar o olhar de mim. Meu coração começou a bater mais rápido, minha respiração começou a falhar; não era um sonho, era realidade. Realidade que não durou muito, pois logo a expressão em seu rosto mudou. Em silêncio, ele pegou seu celular de dentro de sua mala e o olhou por alguns instantes. – Já está no horário, continuamos na próxima.

Caindo dos céus de volta a terra eu percebi que nada mudara, ele ainda era inalcançável, agora numa versão mais fria do que o que eu conhecera e me apaixonara. Quieta, guardei meu material e segui com ele para o hall de entrada, onde ele se despediu de mim com o mesmo beijo apenas-por-educação no rosto da semana anterior e depois deus as costas.

A princípio eu me virei também, desolada, mas então decidi perguntar o que havia de errado com ele por estar agindo daquele jeito comigo. Ao me virar em sua direção, o vi beijando uma garota loira. Assim como seu sorriso, sua voz, seu olhar, assim como tudo nele, aquela cena também prendeu meu olhar.
Quando Bruno soltou-se dela e abriu seus olhos, seu olhar estava em direção a mim. Ele me reconheceu e percebeu que eu o olhava; a mudança de sua expressão foi clara o suficiente para me mostrar isso. Ele parecia surpreso de me ver olhando-o. A dor que eu sentia, no entanto, não me permitiu olhá-lo por nem mais um segundo. Virando-me de costas, sai correndo da escola, prendendo o choro ao máximo.

Não corri até muito longe de lá, porém. Cansada, sem ar e completamente sem chão, acabei me agachando no meio da calçada e chorando ali mesmo.

-Alana? – por que sempre que eu queria ficar sozinha, alguém insistia em querer ficar ao meu lado. Contra minha vontade, olhei para cima, a fim de reconhecer quem me encontrara. Renan! – O que você tem? – o loiro se agachou ao meu lado e eu não consegui evitar em aconchegar minha cabeça em seu peito. Carinhoso, ele passou o braço pelo meu ombro e com a mão livre, acariciou minha cabeça. – Está tudo bem agora. Eu estou aqui com você!

~~*

[@xlloops]
Luisa Lopes 

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08/03/2012 ÀS 12H30.

Continua... ►

07 fevereiro 2012

Fanfics #10- TEARDROPS ON MY GUITAR [ Capitulo I]

Postado por Luisa Ortega às terça-feira, fevereiro 07, 2012 2 comentários
Oi queridos,
Bom, sei que estava postando a série Estrelas Cadentes, mas não tenho nenhuma novidade por enquanto, então hoje trago o primeiro capítulo de  uma outra história. Espero que vocês gostem. O nome é Teardrops on My Guitar.

Boa leitura a todos.
Luisa


TEARDROPS ON MY GUITAR

CAPITULO I

-Já deu o horário? – ele perguntou enquanto eu sofria para acertar o exercício que ele havia me passado. Em silêncio, pedi que não: quarenta e cinco minutos era pouco tempo, mas era tudo o que eu tinha, uma vez por semana, e eu não queria que esse tempo mínimo acabasse – Já passamos do horário, de novo – e lá vinha mais uma semana de angústia antes que eu o visse novamente. Era incrível como a semana demorava a passar, e justo o dia que eu tinha para vê-lo passava voando.

Triste, eu arrumei meu material em silêncio, mas com um pequeno sorriso no rosto; já fazia quase dez meses que eu estava naquela situação, mas em hipótese alguma eu o deixaria saber o que eu sentia, afinal, além de ser meu professor, ele era quase dez anos mais velho. Não que eu realmente me importasse com a idade dele; esses anos a mais não fizeram mal algum a ele; na verdade, ele sequer aparentava a idade. Eu diria que ele tinha no máximo cinco anos a mais do que eu apenas. Quem dera! Talvez assim ele olhasse pra mim do jeito que eu o via.

-Quer ajuda? – ele se ofereceu vendo-me carregar todos os livros que eu trazia da escola. “Só se você me levar até em casa”, eu pensei, enrubescendo mais do que já ficava normalmente com a presença dele. Bruno era muito educado comigo, mas eu nunca sabia como agir diante de tanta preocupação, principalmente quando ele abria aquele sorriso no qual eu estava tão viciada.

Ele me acompanhou até a porta da escola, contando mais um dos casos que eu tanto gostava de ouvir. Bruno sabia como me fazer rir. Ele falava e eu apenas fingia que realmente escutava o que ele dizia; as primeiras palavras dele entraram no meu cérebro de um jeito que praticamente me dopou, proibindo-me de entender as seguintes. A voz dele tinha esse efeito sobre mim. Bruno era como uma droga.

-Até semana que vem? – perguntou ele, devolvendo-me meu material, quando chegamos ao hall de entrada. Se dependesse de mim, ele nunca faria tal pergunta, pois eu não ficaria tanto tempo assim longe dele. Mas para ele, eu era apenas uma aluna de violão, só mais uma entre tantas.

~~*

Durante as horas que eu perdia pensando no quanto o sorriso dele era encantador, nunca sequer passara pela minha cabeça ser correspondida por Bruno. Para mim, a idade não fazia diferença; os anos de diferença entre nós dois não foram o suficiente para impedir-me de me apaixonar, apenas geravam um leque maior de assuntos entre nós dois.

No entanto, ele me via apenas como uma criança, alguém por quem seria errado sentir algo; não importava quão madura eu aparentasse ser, nada mudaria a idéia que ele tinha de mim. Nem o fato de meus dezoito anos estarem próximos, nada mudou o olhar que ele direcionava a mim.

Deitada na cama, rolando de um lado para o outro por não conseguir dormir, eu tentava me conformar com o fato que era mais do que óbvio: ele era inalcançável. Não importava o que eu fizesse, nem mesmo meu olhar que tantos tinham medo de tão sedutor seria capaz de trazê-lo para mim.

~~*

A aliança no dedo de Bruno me traumatizava. Toda aula, eu chegava confiante, crente que aquele seria o dia em que ele finalmente me notaria, e toda a minha confiança era nocauteada pelo pequeno anel prateado em seu dedo.

No começo meu coração congelava toda vez que eu via aquela coisa tão pequena, mas aos poucos, eu entendi que ele seria eternamente meu amor platônico, e fazia parte da essência desse amor o sofrimento.

À noite, eu suspirava, idolatrava e até me declarava, mas apenas em sonho. Diante de seus olhos, eu guardava todos os meus sentimentos por dentro, prendia todo e qualquer suspiro, minhas palavras eram as mais frias o possível, desvia meu olhar para qualquer lugar que não fosse ele. Era difícil, mas conforme o tempo passava, fui ficando mais forte.

Força que não me impediu, no entanto, de começar a imaginar coisas quando ele, pela quarta semana seguinte, apareceu na aula sem a maldita aliança. Teria ele terminado? Ele nunca apresentou nenhum sinal de insatisfação com o relacionamento que tinha; na verdade, ele nem sequer falava de sua namorada e eu não tinha coragem alguma de perguntar sobre ela.

Ao vê-lo novamente sem a aliança, eu até pensei em perguntar se eles teriam terminado, mas minha reação diante das duas possíveis respostas entregaria de mão beijada meus verdadeiros sentimentos.

Deixei, portanto, por conta da minha imaginação. De qualquer jeito, estando ele solteiro ou comprometido, eu não teria chance alguma com Bruno.

~~*

Renan era loiro... e lindo. Exatamente o oposto de Bruno. Enquanto um tinha os cabelos da cor do sol e os olhos, cor do mar, o outro era moreno de olhos cor de mel. A única coisa em comum entre os dois, além de ser alvo da minha adoração, era o tom de pele. Ambos eram um pouco mais claros do que eu, o que tornava as coisas mais fáceis para mim, pois eu tinha a cor do pecado para seduzi-los.

Eu observava os dois de onde estava; era impossível não enxergá-los, afinal eles estavam no palco, um ao lado do outro, como se me forçando a compará-los. E não havia uma comparação possível entre os dois. A competição era desequilibrada, chegando a ser injusta. De fato, os dois eram bonitos, mas de formas diferentes. E mesmo que Renan fosse mil vezes mais bonito, meus olhos ainda preferiam Bruno. No entanto, quem sentara ao meu lado quando terminara sua parte do ensaio foi Renan.

Ele era mais acessível, mais bonito, mais presente, mais brincalhão, o mais perfeito príncipe encantado que toda garota adolescente sonha, mas ainda sim, era mais ignorado pelo meu coração.

O loiro era colega de trabalho de Bruno, também era professor, mas eu tive a sorte, ou o azar, de ter como professor o tal senhor Bruno, que tão claramente indicava a enorme lacuna que existia entre nós enquanto Renan conversava comigo sempre que podia sobre tudo que existia.

Não que Bruno me tratasse mal, ou ignorasse minha presença; ele sempre fora muito atencioso e preocupado comigo, no entanto, ele não se rendia aos meus encantos. Tanto que me surpreendeu quando ele correu atrás de mim, oferecendo-se para me levar até em casa de carro.

Meu rosto enrubesceu na hora e eu não sabia o que falar, não sabia como agir. Sem qualquer reação, aceitei; meu corpo, contudo, não respondeu a nenhum outro comando meu. Fiquei travada no lugar em que ele me pediu para esperá-lo enquanto pegava suas coisas.

Enquanto eu o esperava, desesperada por dentro e radiante por fora, Renan passou por mim, despedindo-se dos demais. Ao chegar minha vez, ele me deu um terno abraço. No estado de êxtase que estava, nem percebi a aproximação dele, ou sequer senti o abraço. Apenas acordei desse transe quando escutei a voz de Bruno novamente.

-Atrapalho alguma coisa? – só então percebi que estava entre os braços do loiro. Minha expressão anterior, de extrema felicidade, se tornou em uma de espanto congelada. Eu não sabia o que dizer e aparentemente nem Renan. Em silêncio, ele soltou os braços e, com um sussurro, ele se despediu do colega, afastando-se de nós em direção a rua. Não consegui olhar para Bruno, meu rosto ardia de vergonha; não que antes eu fosse capaz, era difícil olhá-lo sem ficar vermelha, mas naquele momento era impossível. Eu queria desaparecer, não agüentaria ficar ali por nem mais um instante. Bruno provavelmente percebeu meu desconforto e agiu como se não tivesse visto nada, como se nada tivesse ocorrido, o que me fez pensar que realmente ele era inalcançável. Nada que vinha de mim o afetava – Podemos ir? – ele perguntou indicando o caminho.

Quieta, eu o segui. Não sabia como quebrar o silêncio, parecia que o enorme vazio que existia entre a gente aumentara em poucos instantes. Por que Renan me abraçara justo naquele dia? Enquanto caminhava em direção ao carro, temi que o clima continuasse o mesmo durante todo o caminho até minha casa, ele nunca mais se disponibilizaria para me levar até em casa se assim o fosse.

Meu temor, no entanto, para minha felicidade, não se realizou. Assim que entramos no carro, ele abriu o meu sorriso preferido e conversamos durante todo o percurso. De fato, a princípio, meu corpo foi tomado pela covardia e pela timidez, eu respondia com relutância interna aos assuntos que ele propunha, mas aos poucos minha mente se extasiou e eu me senti mais aberta para tal conversa.

Era tão fácil conversar com ele. Eu sempre fora uma pessoa de poucas palavras e ele me entendia sem que eu precisasse usar todas elas. Era impossível que ele não percebesse a nossa conexão, eu não era mais uma garotinha cega pela paixão que enxergava apenas o que queria e via em tudo uma demonstração de amor de seu amado. Não, eu já era grande o suficiente para saber como exatamente as coisas aconteciam. Mas ainda sim, não havia como ele não perceber que nos dávamos bem o suficiente para tentarmos, independente da idade.

Estávamos perto da minha casa já quando ele perguntou sobre o tema que eu tanto temia que virasse assunto de nossa conversa.

-Você gosta bastante do Renan, não? – eu tentei encontrar uma ponta que fosse de ciúmes na voz dele, mas não havia nada além da indiferença.

-Gosto sim, ele é bem legal. – eu não sabia o que responder; até pensara em responder algo diferente para tentar provocar ciúmes, mas eu tinha consciência que o feitiço poderia virar contra o feiticeiro e tudo dar errado.
Eu esperei uma pergunta dele sobre o abraço, mas ele ficou calado após minha resposta. Quando ele fez menção de falar alguma outra coisa, já estávamos em frente a minha casa. Envergonhada, como sempre, eu o agradeci pela carona já de fora do carro com meu violão nas costas.

Bruno abriu seu maravilhoso sorriso, como se nada tivesse ocorrido e disse que me esperava na semana seguinte, pedindo que eu não me esquecesse da aula. Mal sabia ele, porém, que ele era razão o suficiente para que eu nunca perdesse um minuto sequer.

~~*





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11 novembro 2011

Review: Série Grimm

Postado por Luisa Ortega às sexta-feira, novembro 11, 2011 5 comentários




“O LOBO PENSOU CONSIGO MESMO, QUE CRIATURA FRÁGIL. UMA REFEIÇÃO SUCULENTA...” OS IRMÃOS GRIMM

Quando fui procurar por uma nova série para este review, fiquei super empolgada só com o nome GRIMM. Todos sabem que esses dois irmãos: Jacob e Wilhelm são conhecidos por reunirem vários contos, alguns bem conhecidos por nós. E como uma apaixonante por contos de fadas, mergulhei de cabeça.

Eu gostei. Não foi um piloto impactante, mas me deixou bem curiosa para saber como vai ser mais pra frente à vida de Nick, o detetive protagonista bonitão(suspira). E bem, é uma série sobrenatural com um toque policial, tudo conspirando ao meu favor para continuar vendo a série.

E me parece que GRIMM vai ser baseada nesses contos, e para iniciar a série, eles introduziram “uma garota/menina que usa capuz vermelho e um lobo mau”. O começo é bem explicito, e sabemos logo de cara várias coisas que eles poderiam ter explorado aos poucos. Quer dizer, o episódio é bem corrido, não dá tempo nem para respirar ou piscar, mas eles jogaram tudo nos primeiros minutos, o que acabou com a surpresa.

Assim, temos Nick, o detetive que começa ver coisas estranhas acontecendo com algumas pessoas, a tia dele que tem câncer e uma exímia lutadora, o companheiro de trabalho, a namorada de Nick, o chefe que me deixou MUITO intrigada(e no final chocada) e um “lobo mau” que faz dieta e vai à igreja, ao contrário do nosso protagonista.



Como disse, sabemos logo de cara que Nick faz parte de uma linhagem dos grimms que são caçadores de criaturas mitológicas, e sua tia também que aparece na casa com seu trailer super equipado(e eu tenho medo dessa mulher). Não dá tempo de a titia contar tudo, já que eles são surpreendidos por uma criatura das trevas, e ela começa a lutar como ninguém. Infelizmente, a titia entra em coma.

Sem auxilio, ele começa a investigar o trailer da titia e encontra várias coisas estranha não que ele entenda alguma coisa naqueles livros, até porque, ele parece não acreditar em nada. Até, é claro, ser chamado para um novo caso de sequestro, e ficar obcecado com tudo isso.



Eu adorei o Eddie, é um “lobo mau” diferente, e bem humorado, e se não fosse por ele, o detetive não conseguiria encontrar o outro lobo que gosta de vermelho e come criancinhas.

Estou contando os dias para o próximo episódio e saber mais coisas. E também, se eles vão se aprofundarem nos contos dos irmãos, ou se vão colocar casos do mundo “humano”, e depois intercalar com o sobrenatural, enfim. Tem muita coisa que preciso saber urgente.

Deixo para você que não conhece a série desfrutar um pouco da promo.



Beijinhos e até a próxima!


Aviso: Pomo da Temporada foi retirada, devido as informações de cobrança do Ecad sobre blogs reproduzirem videos do youtube.



@lari_carter


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08 novembro 2011

Coluna Fanfic #4 - O Lugar a que um Coração Pertence

Postado por Luisa Ortega às terça-feira, novembro 08, 2011 2 comentários

O LUGAR A QUE UM CORAÇÃO PERTENCE

Fonte: Google Images


Meus olhos não acreditaram no que eu via. Pisquei várias vezes, estava escuro, podia ser uma ilusão, havia mesmo alguém sentado na pedra mirando às águas do lago. Tentei inutilmente reconhecer a pessoa que sozinha passava o tempo em tal lugar, mas àquela distância era impossível. Não conseguia ver o rosto da criatura, porém o fato de estar no meio da madrugada, me deixou intrigado.

Aproximei-me devagar, não podia chamar muita atenção para minha presença. Passos calmos, passos calculados, se fizesse algum movimento brusco, poderia assustar quem quer que fosse que estava ali. Quando estava ao lado da pedra, a criatura se virou em minha direção, surpreendendo-me; não havia feito barulho algum. Mais surpreso estava pelo fato de reconhecer tal pessoa.

Aquela era a garota que tantas noites assombrara meus sonhos. O que ela fazia ali? Por tanto tempo eu a procurara e agora ela estava diante de meus olhos. Meu coração estava desesperado, sentia-o batendo em cada parte do meu corpo, que tremia, não permitindo que eu tomasse uma atitude.

O efeito daquela mulher era tão grande que eu não conseguia me mexer, não por vontade própria. Eu estava enfeitiçado por ela e nada mudaria aquela situação. Mesmo diante daqueles olhos tão aterrorizantes, tudo que eu sentia era desejo. Eu a queria mais perto de mim.

Sentei ao lado dela e com movimentos precisos, pus-me cada vez mais próximo de tal. A mulher não desviou, parecia me chamar para mais perto. Hipnotizado, meu corpo se moveu mais rápido; quando notei, ela estava deitada, meu corpo por cima e nossos rostos estavam muito próximos. Minha respiração estava ofegante, sentia meu peito dilatar e desinchar em um ritmo muito rápido. Ela, no entanto, não apresentava nenhuma alteração, sua respiração estava normal e não sentia seu coração bater rápido.

Eu a olhava com medo, então ela se adiantou e selou meus lábios com um beijo. Meu medo se dissipou, entreguei-me, retribuindo o beijo. Estava sentindo meu corpo muito quente, mas em especial o lado do meu peito esquerdo, exatamente onde ela repousava a própria mão. Conforme tal local esquentava, o resto do meu corpo esfriava.

Comecei a sentir frio, foi quando interrompi o beijo; meu corpo estava ficando cansado, mal conseguia manter os olhos abertos. Olhei em direção a mão dela e tudo que consegui ver foi meu coração batendo entre seus dedos.
Meus olhos começaram a se fechar e meu corpo parecia congelado. Eu sabia o que estava acontecendo, eu estava morrendo, em alguns instantes o torpor da morte iria me apagar para sempre. A única visão diante de meus olhos era a ninfa que tantas vezes eu sonhara.

Por algum motivo, aquela me parecia a morte ideal. Apesar de todo o frio, o local onde antes estivera meu coração permanecia quente; eu ainda o sentia bater. Apesar de tudo, ele estava no lugar certo, no lugar ao qual sempre pertencera.

-Você será para sempre meu e eu vou te amar eternamente – eu a ouvi dizer antes de apagar por completo.


Twitter: @seasonsx



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